{"id":85,"date":"2022-09-24T23:48:50","date_gmt":"2022-09-24T23:48:50","guid":{"rendered":"https:\/\/ernesto-guerra-da-cal.org\/wp\/?p=85"},"modified":"2022-09-25T18:46:05","modified_gmt":"2022-09-25T18:46:05","slug":"artigo-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ernesto-guerra-da-cal.org\/wp\/?p=85","title":{"rendered":"Verbete sobre Ernesto Guerra Da Cal"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ernesto Guerra Da Cal foi o vulto galego mais importante da segunda metade do s\u00e9culo XX, a n\u00edvel internacional. Licenciou-se em Filosofia e Letras e exerceu a actividade de professor nos Estados Unidos de Am\u00e9rica. Para al\u00e9m de poeta e ensaista, foi ainda colaborador em trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o para universidades de Portugal e do Brasil, pa\u00edses aonde se deslocou para proferir diversas confer\u00eancias e semin\u00e1rios.<br>Foi um dos mais reconhecidos especialistas em E\u00e7a de Queir\u00f3s, autor sobre quem versou a sua tese de doutoramento, a primeira tese sobre literatura portuguesa nos EUA. Participou na vida cultural galega no ex\u00edlio, colaborando na Unity Gallega de Nova Iorque, entre outros coletivos de emigrantes. Foi membro da Academia Internacional da Cultura Portuguesa e da Academia de Ci\u00eancias de Nova Iorque. Recebeu diversas honras, entre as quais podemos destacar a Medalha do Padre Anchieta, o Oficialato da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a Medalha Oskar Nobiling e a Medalha Honoris Causa pela Universidade de Ba\u00eda (Brasil); a Ordem Militar de Santiago-da-Espada, a Ordem do Infante Dom Henrique, a Ordem Militar da Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o de Vila-Vi\u00e7osa e a Medalha Honoris Causa pela Universidade de Coimbra (Portugal); recebeu a medalha da Hispanic Society of America e foi homenageado pela University of California como pioneiro dos Estudos Luso-Brasileiros nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicou diversos ensaios, entre os quais destacamos&nbsp;<em>Lengua y Estilo de E\u00e7a de Queiroz<\/em>, publicado pela Universidade de Coimbra, e a monumental&nbsp;<em>Bibliografia Queirosiana<\/em>. A maior parte da sua poesia, cerca de 300 poemas, est\u00e1 recolhida nos volumes&nbsp;<em>Lua de al\u00e9n Mar<\/em>&nbsp;(1959), \u201cPoemas\u201d (revista&nbsp;<em>Papeles de Son Armadans<\/em>, 1961),&nbsp;<em>Rio de Sonho e Tempo<\/em>&nbsp;(1963), \u201cSeis motivos do eu\u201d (<em>Papeles de Son Armadans<\/em>, 1966),&nbsp;<em>Futuro Imemorial<\/em>&nbsp;(1985),&nbsp;<em>Deus, Tempo, Morte, Amor e outras bagatelas<\/em>&nbsp;(1987),&nbsp;<em>Espelho Cego<\/em>&nbsp;(1990) e&nbsp;<em>Caracol ao P\u00f4r-do-sol<\/em>&nbsp;(1991). Quer nos seus ensaios quer nas suas escolhas po\u00e9ticas, sempre defendeu que a l\u00edngua galega era uma variedade da portuguesa, devendo normativizar-se conjuntamente com esta e sob os mesmos crit\u00e9rios. Os poemas que inclu\u00edmos a seguir fazem parte dos livros&nbsp;<em>Futuro Imemorial<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>Caracol ao P\u00f4r-do-sol<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a palavra \u201cEuropa\u201d n\u00e3o surja na produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica de Guerra Da Cal, a verdade \u00e9 que essa obra relata continuamente a hist\u00f3ria da Europa. Os temas fundamentais que podemos achar na sua poesia s\u00e3o a guerra e a emigra\u00e7\u00e3o, que chegam a fundirse num s\u00f3 poema, ambos ligados \u00e0 mem\u00f3ria, a experi\u00eancia vital. O primeiro \u00e9 \u201cGuerra \u2013 No esquecimento\u201d, onde assistimos \u00e0 representa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o b\u00e9lico inspirado, possivelmente, pela guerra civil espanhola: \u201ctoco o meu camarada \/ aqui \/ ao meu lado \/ na trincheira avan\u00e7ada: \/ Morto!\u201d. No segundo, \u201cCampanha\u201d, a linguagem b\u00e9lica traduz a infeliz situa\u00e7\u00e3o dos emigrados por culpa do conflito: \u201cFilho perdido \/ da minha M\u00e3e \/ Mo\u00e7o arrancado \/ da minha Terra \/ Morto soldado desconhecido\u201d. No terceiro, \u201cP\u00e1tria, A Galiza\u201d, temos as lembran\u00e7as da terra abandonada, preservadas indefinidamente na mem\u00f3ria: \u201cAmo-te \/ sobretudo \/ como eu te quereria \/ como eu em mim te crio \/ dia ap\u00f3s dia \/ como um encantamento da minha inf\u00e2ncia \/ e da minha fantasia\u201d, repetindo-se o motivo da emigra\u00e7\u00e3o: \u201cPosso eu acaso me reconhecer \/ naquele rapaz loiro \/ que chorando partiu \/ um dia crepuscular e montanhoso \/ de Quiroga \/ no Sil \/ h\u00e1 tantos anos e tantos desenganos?\u201d. No quarto poema, \u201cSonho vivo em paisagem morta\u201d, o autor descreve mais uma vez o espa\u00e7o marcial: \u201cO Sol brilha indecente \/ e \/ indiferentemente nu \/ a alumiar os sapatos \/ vazios \/ dos cad\u00e1veres\u201d, chegando a dar detalhes que podemos associar com diversas guerras, quer por nomear o lugar, quer por vultos ligados a elas: \u201cE uma tarde de sol \/ morrer ainda outra vez \/ lambendo heroicamente \/ as botas militares \/ no Vietname \/ ou dando hebraicamente \/ os dentes de ouro \/ \u00e0s c\u00e2maras de g\u00e1s \/ ou cuspindo os pulm\u00f5es aos peda\u00e7os \/ nas rochas Franco-regeneradoras \/ do Vale dos Ca\u00eddos\u201d. No quinto, \u201cPavana ritual para um poeta assassinado\u201d, a guerra e as suas consequ\u00eancias em Espanha, o assassinato massivo de pessoas inocentes, como Federico Garc\u00eda Lorca, \u00edntimo amigo de Guerra Da Cal: \u201cFEDERICO, est\u00e1s morto! Ouves o que te digo? \/ Mataram-te bem morto \/ de uma morte total \/ perp\u00e9tua, irrevog\u00e1vel\u201d. Finalmente, o sexto poema, \u201cBombardeamento\u201d, combina um relato amoroso com um relato belicista: \u201cDepois: dois corpos nus \/ em entrela\u00e7amento incandescente \/ Cheiro a sexo \/ misturado com \u00e1gua de col\u00f3nia \/ h\u00famidos beijos \/ lascivos e inocentes\u2026 \/ E de chofre: \u2013 \/ o alto alarido das sereias de alarme \/ e o roncar dos motores agressores pelos cimos do c\u00e9u\u201d.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Lista de poemas sobre a Europa<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 \u201cGuerra \u2013 No esquecimento\u201d,&nbsp;<em>Futuro Imemorial<\/em>&nbsp;(1985)<br>\u2013 \u201cCampanha\u201d,&nbsp;<em>Futuro Imemorial&nbsp;<\/em>(1985)<br>\u2013 \u201cP\u00e1tria \u2013 A Galiza\u201d,&nbsp;<em>Futuro Imemorial<\/em>&nbsp;(1985)<br>\u2013 \u201cSonho vivo em paisagem morta\u201d,&nbsp;<em>Futuro Imemorial<\/em>&nbsp;(1985)<br>\u2013 \u201cPavana ritual para um poeta assassinado\u201d,&nbsp;<em>Futuro Imemorial<\/em>&nbsp;(1985)<br>\u2013 \u201cBombardeamento\u201d,&nbsp;<em>Caracol ao P\u00f4r-do-sol<\/em>&nbsp;(1991)<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Antologia breve<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">GUERRA \u2014 NO ESQUECIMENTO<\/h5>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">Na noite inacabada\ndos derradeiros tiros\n\t\tda vaga madrugada\n\t\t\t      quase calma\ntoco o meu camarada\n\t\t\t      aqui\n\t\t\t      ao meu lado\n\t\t\t      na trincheira avan\u00e7ada:\n\t\t\t\t\t      Morto!\n\n\t      E quero preservar\nno arquivo da minha alma\n\t\t      a sua cara\n\t      N\u00e3o a cara fechada\nj\u00e1 desactualizada\n\t      do seu agora\n\t\t\t    frio\nsen\u00e3o aquela outra\n\t      que tinha sempre aberta\nem perene risada\n\t\t            quando vivo\n\n\t       N\u00e3o posso\ne fico absorto\n\n\t       E vejo que no mundo n\u00e3o h\u00e1 nada\nmais cruelmente dif\u00edcil de fixar\n\t       que um rosto vivo\n\t\t\t\t       morto\n\t\tE essa certeza g\u00e9lida\n\t\t\t\t       marm\u00f3rea\nme fere no recanto mais \u00edntimo\n\t       do espa\u00e7o limpo\n\t       do espanto branco\n\t\t\t\t       da desmem\u00f3ria\n\nCuernavaca\nM\u00e9xico\n1958\n(<em>Futuro imemorial<\/em>, 1985)\n<\/pre>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">CAMPANHA<\/h5>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">Filho perdido\nda minha M\u00e3e\n             Mo\u00e7o arrancado\nda minha Terra\n             Morto soldado desconhecido\nda minha obscura\n             e errante guerra\n\n             Onde h\u00e1 uma cova\ne uma mortalha\n             para o insepulto\ncorpo jacente\n             do combatente\nGalaaz andante sem Graal \u00e0 frente\n             nu\n             frio\n             sozinho?\n\n             Houve batalha?\nHaver\u00e1 paz?\n             Houve caminho?\n\nNew York City\n1965\n(<em>Futuro Imemorial<\/em>, 1985)\n<\/pre>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">P\u00c1TRIA<\/h5>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">Porque volvi\u00f3, sin regresar, Ulises. \nMiguel \u00c1ngel Asturias\n        A Galiza\n\u00e9 para mim\n        um mito pessoal\nmaternal e nutr\u00edcio\n        com longa teimosia elaborado\nde louco amor filial\n        de degredado\n(E de facto \u00e9 tamb\u00e9m\n        \u2014 porqu\u00ea n\u00e3o confess\u00e1-lo \u2014\num execr\u00e1vel v\u00edcio\n\t\tsublimado)\n\n        A Galiza\nfoi sempre para mim\n        um ref\u00fagio mental\num jardim de lembran\u00e7as\n              sossegado\num ninho de frouxel acolhedor\n        para onde fugir\ndo duro batalhar e do estridor\n                              da Vida\ne do acre ressaibo do Pecado\n        Subterf\u00fagio subtil\n               e purificador\nde interior evas\u00e3o\n        para o descanso da alma\n\t              na calma\n                              pastoril\nde perfei\u00e7\u00e3o de Arc\u00e1dia\n               da Terra Prometida\n        da imagina\u00e7\u00e3o\n\n        A Galiza\n\u00e9 o meu amor constante\n        tranquila e fiel esposa\ne impetuosa amante\n        sempre\n              como Pen\u00e9lope a tecer\n        na espera\nansiosa e pl\u00e1cida\n        paciente e palpitante\nde retorno final\n        do seu errante e navegante Ulisses\n                        \u2014 outra quimera!\n\n        Amo-a\ncomo o n\u00e1ufrago desesperado\n        ama a costa long\u00ednqua e ansiada\nque nunca h\u00e1-de avistar\n        Amo-a\ncom saudade antevista de emigrado\n        que \u00e0 partida se sabe j\u00e1\n                               fadado\n\na ser ausente morrinhento\n        de nunca mais voltar\nPorque ningu\u00e9m jamais regressa do desterro\n        \u00e0 mesma terra que deixou\n(O Espa\u00e7o dissolve-se no Tempo:\nos lugares\n        e as gentes que os habitam\nmudam e morrem sempre\n        e n\u00f3s tamb\u00e9m morremos\n                     e mudamos\nPosso eu acaso me reconhecer\n        naquele rapaz loiro\n               que chorando partiu\num dia crepuscular e montanhoso\n        de Quiroga\n              no Sil\n                     h\u00e1 tantos anos\n              e tantos desenganos?\n\n        Amo-a\n        Amei-a sempre\nporque nunca deixei\n        de estar ligado a Ela\n                pelo umbigo\nPorque Ela foi meu ber\u00e7o\n        e onde quer que eu morrer\nEla h\u00e1-de ser\n        o meu \u00edntimo\n               e \u00faltimo jazigo\n\t\n        Amo-te\n        enfim\n        Galiza\ncoitada, triste e bela P\u00e1tria minha\n        como Tu \u00e9s\ncomo o Senhor\n        num mau dia te fez\n\u00f3rf\u00e3 de hist\u00f3ria e alienada de alma\n        vespertina submissa e maliciosa\n                     r\u00fastica e pobrezinha\n\n        Amo-te\n        sobretudo\ncomo eu te quereria\n        como eu em mim te crio\n                    dia ap\u00f3s dia\ncomo um encantamento da minha inf\u00e2ncia\n                    e da minha fantasia\n        Amo-te\n        como eu\ntresnoitado poeta evangelista\n        te invento e mitifico\nE, como com Jesus Cristo fez Mateus,\n        visto com ilus\u00f3rios v\u00e9us\na tua miseranda e cinzenta Paix\u00e3o\n        e intento\n                com interna e intensa\n                       distante devo\u00e7\u00e3o\np\u00f4r-te um nimbo de Gl\u00f3ria imagin\u00e1ria\n        num ap\u00f3crifo Novo Testamento\n\nEstoril\n1984\n(<em>Futuro Imemorial<\/em>, 1985)\n<\/pre>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">SONHO VIVO EM PAISAGEM MORTA<\/h5>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">A Mestre Rodrigues Lapa, <em>ex toto corde<\/em>\nAs pombas caem mortas\n      dos ramos da oliveira\ne Cassandra as recolhe\n      e tenta reviv\u00ea-las com saliva\n\n              (Onde estou? Que paisagem \u00e9 esta?)\n\nO Sol brilha indecente\n       e indiferentemente nu\na alumiar os sapatos\n               vazios\n       dos cad\u00e1veres\ne a desfilar em nuvens de entressonho\n       os ossos espelhados dos feridos\n       as choupanas em brasa\n       as mulheres abertas\n       e as p\u00e9talas vermelhas dos meninos\n                       que desfolhou a bomba\n                                     infanticida\n\n               (Onde estou? Onde estou? Estou perdido!)\n\nTormentas de cabelos inflamados\n       multid\u00f5es de membros divorciados\nem fuga desmedida\n       desnorteiam as moscas\n                     verdes\n                            da podrid\u00e3o\nvagabundas da noite arrepiada\n\n       (Que paisagem \u00e9 esta? Estou com frio!)\n\nEstrelas moribundas e tinhosas\n       percorrem tresloucadas\nos cemit\u00e9rios cegos\n               \u00e0 procura\n       de sombras transparentes e sem dono\nno c\u00e9u empedernido\n             sem sa\u00edda\n\n       (Por favor, onde estou?)\n\nOs canh\u00f5es\n       como lobos\nululam negramente\n       na pe\u00e7onhenta lividez de Lua\nque parte em dois o dia\n       tornando absurda a hora\nque n\u00e3o \u00e9\n       nem de Fim\n       nem de Come\u00e7o\n\n       (E eu me pergunto\n                     alheio:\n       como \u00e9 que eu vim parar\n                     a esta paisagem?)\n\nOnde foram as Ninfas\n       e os S\u00e1tiros de Rubens?\nOnde as Festas Galantes\n       de Verlaine\nA Ilha dos Amores\n       de Cam\u00f5es?\nE Catulo\n       e o Mirto\n       e a Ma\u00e7\u00e3\nE as tetas de Afrodite\n       deliciosas\nE as doces inoc\u00eancias do Natal\n       com Gaspar e Melchior e Baltasar\n             e o pres\u00e9pio de barro\n                            do Menino Jesus?\n\nN\u00e3o se pode escapar\n              j\u00e1 nunca mais\ndo apavorante carrocel de Sonho?\n\nHaver\u00e1 que nascer\n       idiotamente sempre\npara aprender Latim\n       ou qualquer coisa assim\nem tardes infind\u00e1veis\n                     masturbadas?\nE ter que decorar\n       que \u00abA G\u00e1lia era toda dividida\nem partes tr\u00eas\u00bb\n\nE chorar\n       ter o sarampo\nrir\n       cantar\nnamorar\n       fornicar\ne acreditar\n       que Deus \u00e9 Bom e Justo e Todo-Poderoso\nPrinc\u00edpio e Fim de tudo\n       E tomar aspirinas\np\u00b4ra as dores metaf\u00edsicas\n                       divinas\n\nE uma tarde de sol\n       morrer ainda outra vez\nlambendo heroicamente\n       as botas militares\nno Vietname\n       ou dando hebraicamente\nos dentes de ouro\n       \u00e0s c\u00e2maras de g\u00e1s\nou cuspindo os pulm\u00f5es aos peda\u00e7os\n       nas rochas Franco-regeneradoras\n       do Vale dos Ca\u00eddos\nou entregando a alma\n       lavada com lix\u00edvia\ne encravada\n       a um Comiss\u00e1rio gordo\nentre arames farpados\n       nas tundras da Sib\u00e9ria\n\n               (Eu sei que j\u00e1 c\u00e1 estive\n                       Conhe\u00e7o esta Paix\u00e3o\n                             e esta Paisagem\n               J\u00e1 dormi e acordei\n                      e tornei a dormir\n                             e a despertar\n               no mesmo amanhecer alucinado\n                     de pesadelo eterno\n                                    marasmado\n               Conhe\u00e7o esta Paisagem\n                     com olhos invadidos de \u00e1gua\n                                    amarga\n               de vergonha e espanto transbordados)\n\nSer\u00e1 assim para sempre\n       sem Dia da Ira \u2014 e o Arcanjo sempre ausente?\nSempre a recome\u00e7ar\n       a afronta inexor\u00e1vel\n                      do lume das Fogueiras\n                      do frio das Masmorras\n                      dos n\u00f3s das Forcas\n                             e o lampejar de chumbo\n                                            das descargas\n                             dos Esquadr\u00f5es da Morte?\nSempre as mesmas orgias sanguinolentas\n                      dos Ouros\n                      e das Copas\n                      e as Espadas\n                      e dos Paus implac\u00e1veis\n                             das torvas Utopias aplicadas?\n\nMeu velho cora\u00e7\u00e3o\n       est\u00e1 rebelde hoje\nComo est\u00e1 revoltado\n       o chap\u00e9u maltrapilho\ncom que ele cobre\n       a sua nocturnidade calcinada\nE ambos se insurgem\n              brandos\n       recusando aceitar tanta ru\u00edna\nde Paisagem macabra e asinina\n\nE os dois levantam seu protesto\n                             gasto\n       e uma bandeira antiga\n                     enfastiada e branca\npedindo as tr\u00e9guas\n       gritando a Deus que rompa\no seu longo sil\u00eancio criminoso\n       e que decrete o Fim definitivo\ndeste insano terror\n       destro e sinistro\n\nPedindo o absoluto indispens\u00e1vel\n       o P\u00e3o\n       o Sal\nPedindo a limpa Aurora\n       que desterre p\u2019ra sempre\nesta Noite abismal incoerente\n                     monocorde e teimosa\n\nE eu desfilo com eles no peito e na cabe\u00e7a\n       abra\u00e7ado \u00e0 esperan\u00e7a luminosa\n                     do nascimento eterno\n                     e intemporal da Rosa\n\nAmityville\nNew York\n1975\n(<em>Futuro Imemorial<\/em>, 1985)\n<\/pre>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">PAVANA RITUAL<br>PARA UM POETA ASSASSINADO<br>(GRANADA) 1936<\/h5>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">Only the dead are safe.\nGeorge Santayana\nBaruch at-Adonai!\nBendito seja Deus!\n\nELE\n        acolheu-te no ber\u00e7o do seu rega\u00e7o imenso\n               com grandioso, profundo e desolado\n                                   lamento de Piet\u00e0\n                      com o que deu Maria na Descida\n                                   do Corpo inanimado do Filho\n                                                na Paix\u00e3o\nNa noite inexor\u00e1vel que a Morte j\u00e1 escolhera\n        para selar teu canto com seu beijo sombrio\n                ouviram-se na Alhambra\n                      e entre os ciprestes do Generalife\n                            os solu\u00e7os das fontes\n                                                  afogados\n        E as colunas morunas \n          nos seus arcos de lua rendilhada\n                      tremeram com um forte calafrio\nDoze Le\u00f5es em roda no seu P\u00e1tio\n        rugiram um trov\u00e3o vulc\u00e2nico\n                                    de pedra\n               que abafou em Viznar\n                 a descarga sinistra dos morcegos tricornes\n                   inimigos da Luz e da Beleza\n\nE todas as guitarras de Picasso\n        e as da Hisp\u00e2nia infinita\n                arranharam a cara num pranto em carne viva\n                      querendo para sempre emudec\u00ea-las\n\t\te mostraram\n                      pela primeira vez\n\t\tas antigas e \u00edntimas\n\t\t\t        cicatrizes ocultas das colhidas\n\nLeopardos e Pombas\nArcanjos e Dem\u00f3nios\nAncestrais Minotauros de Tartessos\n        e Touros milen\u00e1rios\n\t       de Ass\u00edria, de Guernica\n\t\t\t      de Creta e do Zod\u00edaco\n\te as outras criaturas\n\t\t\thumildes do bom Deus\ntodos\n\tse inteiri\u00e7aram\n\t\tnaquele infindo instante\n\tem que a m\u00e3o gris\n\t\t\tde chumbo\n\tte arrebatou do teu jardim moreno\n\t\t\t\t     de Ecos em cio\n\ta procura do gume de navalhas em flor\n\t  e Narcisos son\u00e2mbulos feridos\n\t    por sombras a galope na espiral\n\t        da tua noite verde\n\t\t\tde oliveirais ciganos\n\t\t\t\t\tespectrais\n\nFEDERICO, est\u00e1s morto! Ouves o que te digo?\n     Mataram-te bem morto\n                        de uma morte total\n                          perp\u00e9tua, irrevog\u00e1vel\n\nO apetite de sangue saciou-se:\n        O Cordeiro morreu\n\t\t   morreu o Rouxinol\n\nAgora\n        est\u00e1s moldado em osso\n               talhado em cinza\nPor\u00e9m\n\tn\u00e3o h\u00e1 quem possa\n               extinguir os teus olhos de lume aluarado\nEu os vejo ainda abertos\n\tE a cantar!\n\nA her\u00f3ica altura est\u00f3ica da Trag\u00e9dia\n\tincendeia em vermelho\n\t        essa can\u00e7\u00e3o pasmosa de crian\u00e7a grande\n\t\t\t\t    c\u00e2ndida e sabiamente\n\t\t\t      assombrada do mundo\n\t\t\t\t    in\u00e9dito\n\t\t\t\t\t    em redor\nAs l\u00e1grimas secaram\n\te o Tempo p\u00f4de j\u00e1\n\t     respirar \u00e0 vontade\n\t\t\t       sem ang\u00fastia\n\nO som silencioso\n      do fluir das areias da ampulheta\n\t      vai esvaindo aos poucos\n\t\t      o perfil tenebroso\n\t\t\t      da negrura do crime\n\t\t\t\t\t     inexpi\u00e1vel\n(Na corrente de sombra do Passado\n\t      apenas mais um elo\n\t\t\t    violento e fantasmal)\nPor\u00e9m\n\ta voz ins\u00f3lita arder\u00e1 para sempre\n\t\tvibrando em brasa cada vez mais alta\n\nAgora est\u00e1s a salvo, FEDERICO\n       tranquilo no descanso de granito\n\t\t      vasto e seguro\n\t\t\t\t     das mans\u00f5es da Morte\n\nNem Ela\n      nem ningu\u00e9m\n\t     pode tocar-te!\n<\/pre>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estoril<br>1984<br>(<em>Futuro Imemorial<\/em>, 1985)<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">BOMBARDEAMENTO<br>[Barcelona, 1938]<\/h6>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">Encontrei-a na rua\n                perto da Diagonal\nEra loira e bem feita\n                        Duas covinhas\npontuavam-lhe a curva do sorriso\n                        auroral\n                Disse-me o nome\nque os longos anos idos\n                fizeram esquecer\n                       Lembro-me do apelido\n\u2013 bem catal\u00e3o: Carner\n                Era virgem, cat\u00f3lica e ardente\n                \u2026\u2026\u2026\u2026..\n                \u2026\u2026\u2026\u2026..\n                Depois: dois corpos nus\nem entrela\u00e7amento incandescente\n                     Cheiro a sexo\n                misturado com \u00e1gua de col\u00f3nia\nh\u00famidos beijos\n                lascivos e inocentes\u2026\n                   E de chofre: \u2013\n                o alto alarido das sereias de alarme\ne o roncar dos motores agressores pelos cimos do c\u00e9u:\n                \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026.\n                trov\u00f5es\n                estilha\u00e7os\n                cal\u00e7adas esventradas\n                pr\u00e9dios ao desbarato\n                corpos despeda\u00e7ados\u2026.\n                \u2026\u2026\u2026\u2026..\n                \u2026\u2026\u2026\u2026..\n                \u201cFins a dem\u00e1! \u2013 disseste num abra\u00e7o\nperturbado\n     no teu idioma pr\u00f3prio\n                Mas n\u00e3o houve \u2018amanh\u00e3\u2019\nnaturalmente\n      N\u00e3o havia tampouco ontem nem hoje\n                           Era guerra\n      e a guerra anula o Tempo\n               Tivemos s\u00f3 um instante\n                     furiosamente ed\u00e9nico\n                                interrupto\nnaquele quarto ingreme e vacante\n     de amorosa guarida\n                 E para sempre nunca mais:\n                                      Adeus!\n          E um holocausto como despedida.\n\nLondres\nFevereiro, 1991.\n(<em>Caracol ao P\u00f4r-do-sol<\/em>, 1991)\n<\/pre>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Bibliografia ativa selecionada<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">G\u00d4MEZ, Joel R. (2015),\u00a0<em>Ernesto Guerra Da Cal, do ex\u00edlio a galego universal<\/em>, Santiago de Compostela, Atrav\u00e9s Editora.<br>L\u00d3PEZ ZEBRAL, Manuel (2020),\u00a0<em>O Ferrolano Ernesto Guerra Da Cal, estudo do seu pensamento pol\u00edtico, biogr\u00e1fico e de contexto<\/em>, dispon\u00edvel em: www.academia.edu\/42755154\/O_FERROLANO_ERNESTO_GUERRA_DA_CAL_ESTUDO_DO_SEU_PENSAMENTO_POL%C3%8DTICO_BIOGR%C3%81FICO_E_DE_CONTEXTO_por_MANUEL_LOPES_ZEBRAL<br>CAL, Ernesto Guerra da (1985),\u00a0<em>Futuro Imemorial<\/em>, Lisboa, Livraria S\u00e1 da Costa Editora.<br>\u2014 (1991),<em>\u00a0Caracol ao P\u00f4r-do-sol<\/em>, Corunha, AGAL.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Paulo Fernandes Mir\u00e1s<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0<br><strong>Como citar este verbete:<\/strong><br>MIR\u00c1S, Paulo Fernandes (2022), \u201cErnesto Guerra Da Cal\u201d, in\u00a0<em>A Europa face a Europa: poetas escrevem a Europa<\/em>. ISBN 978-989-99999-1-6.<br><a href=\"https:\/\/aeuropafaceaeuropa.ilcml.com\/pt\/verbete\/ernesto-guerra-da-cal\/\">https:\/\/aeuropafaceaeuropa.ilcml.com\/pt\/verbete\/ernesto-guerra-da-cal\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ernesto Guerra Da Cal foi o vulto galego mais importante da segunda metade do s\u00e9culo XX, a n\u00edvel internacional. Licenciou-se em Filosofia e Letras e exerceu a actividade de professor nos Estados Unidos de Am\u00e9rica. 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