
NÓS DIÁRIO CONTRA A UNIÃO DA GALIZA E PORTUGAL
CONTRA O PENSAMENTO DE CASTELÃO
Castelão referencia as Cortes republicanas realizadas em México em novembro de 1945 que aprovaram em dia 9 constituir a Comissão do Estatuto Galego e acaba o Livro IV do Sempre em Galiza com os quatro objetivos da sua praxe:
i. Autonomia integral para a Galiza
ii. República Federal Hespanhola para confederar-se com Portugal
iii. Confederação Ibérica para ingressar na União Europeia
iv. Estados Unidos da Europa para constituir a União Mundial.
Assim acaba Castelão o Sempre em Galiza, tratado político para a UNIÃO NACIONAL DA GALIZA E PORTUGAL através da fórmula de República Federal espanhola que confederada com Portugal na Confederação Ibérica permitiria criar uma ÚNICA FEDERAÇÃO da Galiza UNIDA a Portugal.
O legado de Castelão é UNIÃO NACIONAL da Galiza com Portugal e idioma galego o mesmo idioma que o português.
Neste Ano Castelão assistimos e assistiremos à FALSIFICAÇÃO PERMANENTE do seu pensamento sintetizado em Português, língua da Galiza e Galiza-Portugal nação única.
Falsificação que dura mais de 75 anos porque o nazi-franquismo narcotraficante encabeçado por Rueda que tiraniza a Galiza NUNCA vai deixar de combater contra a liberdade da Galiza representada por Castelão, isto é, a unidade galego-portuguesa na nação e na língua.
Infelizmente não são os únicos que falsificam, ocultam e combatem o pensamento de Castelão. Estão as pessoas alegadas nacionalistas que levam décadas neste exercício de reclamar e comemorar Castelão mas CENSURAR o seu pensamento a respeito de Portugal unido à Galiza e à identidade do idioma galego e o português. Acontece o mesmo com Ricardo Carvalho Calero: Reclamam o seu legado e continuam na ORTOGRAFIA espanhola. Silêncio a respeito de Ernesto Guerra Da Cal e a sua obra que continua na Longa Noite de Pedra. Uma boa mostra dessas pessoas alegadas nacionalistas é Pilar Garcia Negro entrevistada por Nós Diário. Manifesta-se indignada por que uma grande parte da obra de Castelão fique oculta e afirma «A manipulação de que é objeto não passa só por retalhar ou omitir questões fundamentais do seu ideário e da sua obra, se não por falsear diretamente ambos… Na sua defesa duma solução confederal autêntica, em virtude da qual todos os Estados federados da República pactuassem, em pé de igualdade, as competências a exercerem e as delegáveis» eis aqui que retalha ou omite Portugal, questão fundamental para a Galiza e para o seu pensamento e praxe que ocupa todo o Sempre em Galiza: retalha ou omite a «Confederação Ibérica integrada pela República Federal Hespanhola e Portugal»; com esta fundamental fórmula política a Galiza poder-se-ia federar com Portugal numa única federação – a «irmandade da Galiza e Portugal».
Podemos ter a certeza de que uma brilhante inteligência como a de Pilar G. Negro é sabedora do papel estratégico que Portugal ocupava na cabeça de Castelão e no seu Sempre em Galiza. E não apenas de Castelão – do galeguismo desde a Assembleia Nacionalista de Lugo de 1918.
Castelão mantém uma intensa e estratégica relação com os portugueses Jaime Cortesão, Jaime Morais e Moura Pinto, os Budas, representantes da oposição ao Salazarismo desterrados no Brasil durante os anos 1944 e 1945. Castelão envia-lhes um documento em espanhol intitulado «Sugestiones para un proyecto de Alianza o de Unión Ibérica con Portugal». Os Budas nomeiam Castelão como o seu representante perante o Governo republicano espanhol no exílio e mesmo lhe conseguem em Brasil um passaporte para viajar desde Buenos Aires a México via Brasil onde Castelão se encontra com eles e com a comunidade galega com grande festa e alegria.
Manuel Rodrigues Lapa amou Castelão [e à Galiza] intensamente e fez-lhe homenagem em Seara Nova N.º 1204-1207 em fevereiro de 1951 – um ano depois da morte de Castelão – onde escreveu:
«A grande aspiração de Castelão era… a união de Portugal e Galiza, a terra que ele tanto amou e pela qual lutou até ao último alento».
Manuel Rodrigues Lapa com setenta e seis anos guiado pelo seu amor à Galiza publica em julho de 1973 na revista Colóquios/Letras um trabalho intitulado “A recuperação literária do galego” contrariando um outro de Ramão Pinheiro na mesma revista. Sucedem-se posicionamentos públicos contrários ao Rodrigues Lapa que referenciara Ernesto Guerra Da Cal como defensor da ORTOGRAFIA portuguesa para o galego que Lapa defendia e o coloca como o melhor, o de mais autoridade – superiormente apetrechado. Publica-se o Manifesto de Roma em abril de 1974 que defendia a identidade do galego e o português, a ortografia portuguesa para o Galego. Em 1976 Francisco Rodrigues publica «Conflito linguístico e ideologia na Galiza» e afirma que galego e português são a mesma língua mas nega a ortografia portuguesa para o galego coincidindo com R. Pinheiro.
E aqui juntamos F. Rodrigues e Pilar Garcia Negro, duas notáveis figuras defensoras de Castelão mas desprovido de Portugal.
Assim será, prognosticamos, nos trabalhos recolhidos na coleção de Nós Diário cujos autores e autoras anunciadas são: José Luís Ajeitos, Pepe Barro, Vitória Carvalho-Calero, Ugio Breogão Diéguez, José Ramão Ermida, Carmo Fernandes Peres-Sanjulião, Miguel Fernandes Cid, Maria Pilar Garcia Negro, João Carlos Garrido, Emílio Ínsua, Lois Ladra, Carlos Lopes Bernardes, Carlos Melha, Henrique Monte-Agudo, Tereija Navaça, Manuel Rei, Francisco Rodrigues e Miguel Anjo Seixas Seoane.
E nós reiteramos a Manuel Rodrigues Lapa:
«A grande aspiração de Castelão era… a união de Portugal e Galiza, a terra que ele tanto amou e pela qual lutou até ao último alento». Até aqui, o texto anterior foi por mim escrito em Ferrol, em domingo, 23 de março de 2025.
Publicados por Nós Diário os trabalhos das dezaoito pessoas citadas sob o título «CASTELÃO: SEMPRE EM GALIZA. Uma visão INTEGRAL do seu pensamento e obra», podemos afirmar que o prognóstico que fizemos cumpriu-se. A visão «integral» do pensamento e obra de Castelão desprovido de PORTUGAL, da UNIÃO nacional e linguística da Galiza e Portugal pode encontrar-se no trabalho n.º 1 da Coordenadora, Pilar Garcia Negro que titula «Sempre em Castelão no século XXI» e escreve duas páginas relativas a Castelão dum total de seis e nas restantes publica um interessante artigo de Ricardo Carvalho Calero que não cita a relação de Castelão com os Budas portugueses. Nem Pilar Garcia Negro escreve a palavra «Portugal» uma única vez.
No trabalho n.º 5 de Uxio Breogão-Dieguez, «Castelão e as Irmandades da Fala», aparece duas vezes a palavra «Portugal» e acaba com a cita «Os galeguistas arelávamos que Portugal se confedera-se com Hespanha para consagrarmos a IRMANDADE galaico-portuguesa, para restablecermos os vencelhos culturais da nossa antiga comunidade, da nossa velha nação… se restaure a UNIDADE galega».
No trabalho n.º 9 «Antiimperialismo» Manuel Rei Romeu compara Castelão com Ho Chi Minh; é mais um trabalho acerca de HchM do que de Castelão. Destaca posições, ideias anti-imperialistas do Ho afirmando estarem em Castelão. O que oculta, CENSURA, MENTE, é o conceito de REUNIFICAÇÃO NACIONAL do Viet Nam de HchM, a UNIÃO das partes «derramadas», das partes em que os imperialismos DIVIDIRAM A NAÇÃO. No Viet Nam estão a comemorar os 50 anos de independência e REUNIFICAÇÃO do Viet Nam do Norte e do Viet Nam do Sul. «Arriba os probes do mundo» clamava Castelão pelos que combateram e deram a vida pela REUNIFICAÇÃO das partes em que o imperialismo DIVIDIRA a nossa comunidade nacional, a NOSSA VELHA NAÇÃO, isto é, Portugal, a Galiza, a Seabra, o Berço e o ocidente de Astúrias.
No trabalho n.º 16, «Castelão, da repressão à manipulação» José Ramão Ermida Meilão descreve a sanha nazi-franquista da perseguição do pensamento político de Castelão e do seu Sempre em Galiza mas não ousa ultrapassar a raia de UNIÃO da Galiza com Portugal: É um Castelão desprovido de Portugal, um Castelão que propugnava a REUNIFICAÇÃO da nossa antiga comunidade, da nossa velha nação – como Ho Chi Minh.
No trabalho n.º 18, «Castelão: Razão e vontade da Galiza», Francisco Rodrigues Sanches furta uma e outra vez a questão do pensamento de Castelão a respeito da UNIÃO da Galiza com Portugal. Leva décadas no lavor empregando burdas técnicas para sequestrar, ocultar, censurar, distorcer,
mentir, falsificar a questão: A questão não é outra que «Portugal (a Galiza do além-Minho)» em palavras de Castelão na página 231 do Sempre em Galiza (Akal). Uma questão central no pensamento e na praxe de Castelão exprimida através do Sempre em Galiza e não apenas. Que tem antecedentes ideológico-políticos e orientadores nas Irmandades da Fala: Programa da Assembleia de Lugo, 1918. No dito programa Francisco Rodrigues não é capaz de ler a palavra Portugal escrita duas vezes. Referencia Estaline mas oculta o pensamento de Castelão relativamente ao território nacional da Galiza dentro da definição estaliniana que Castelão defende no capítulo V do Livro Primeiro: O território da nossa nação natural, Galiza, Portugal, O Berço e demais comarcas limítrofes de Ourense e Lugo… O tempo… possibilite a reconstrução total da nossa UNIDADE. A REUNIFICAÇÃO DA GALIZA E PORTUGAL e mais algo.
Francisco Rodrigues não foi capaz de ler o capítulo anterior, o quarto, em que Castelão afirma categórico, com total rotundidade, que galego e português são a mesma língua, uma questão de dignidade e liberdade. Palavras de absoluta atualidade perante a proibição e repressão das pessoas a utilizarem o galego em identidade com o português.
O objetivo estratégico de Castelão não é o federalismo, é a UNIÃO DA GALIZA COM PORTUGAL. O federalismo seria um meio, um regime de liberdade que permitiria a unidade por meios democráticos. Mas a violência nazi-fascista acabou com esse objetivo (genocidou as pessoas organizadas que o defendiam) graças às armas de Hitler e Mussolini até hoje que existem alegadas democracias em Portugal e na Galiza o qual em termos formais, de democracia formal, constitucional, permitiria a UNIÃO DA GALIZA COM PORTUGAL auspiciada pela ONU. Só que a GUERRA é o dominante no mundo. O presente e o futuro é a guerra. Só o proletariado galego e português UNIDO e organizado em milícias armadas de ambos sexos tomará o poder para em paz e liberdade, os povos galego e português determinarem, decidirem a UNIÃO NACIONAL DA GALIZA E PORTUGAL numa República Socialista integrada na União de Repúblicas Socialistas Europeias e Mundiais.
Em Ferrol, Primeiro de Maio de 2025
ASSDO: MANUEL LOPES ZEBRAL
